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FILÃO RELIGIOSO

Postado por olavo ferreira 8 de out de 2009


Ricardo Gondim

As Casas Bahia disputam o mesmo mercado que a Magazine Luiza. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Em seus comercias, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela da televisão. A patuléia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio - o juro embutido deve ser um dos maiores do mundo.

Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma lengalenga se repete nos programas evangélicos. Pelo menos quatro “ministérios” concorrem em outro mercado: o religioso. Todos caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, os empreendimentos expansionistas, as ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco dos líderes. Assim, cada programa oferece milagres e todos calçam suas promessas com testemunhos de gente que jura ter sido brindada pelo divino. Deus lhes teria abençoado com uma vida sem sufoco. Infelizmente, o preço do produto religioso nunca é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha.

Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Para preferir uma igreja, precisa distinguir sobre qual missionário, apóstolo, pastor ou evangelista, Deus apontou o dedo. E se tiver uma filha com leucemia aguda, não pode errar. Ao apelar para uma igreja com pouco poder, perde a filha.

O correto seria freqüentar todas. Mas como? Em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, afirmariam que, por mais “ungido” que for o missionário, um monte de exigência vem embutida na promessa da bênção. É preciso ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo impede o Todo Poderoso de operar; qualquer dúvida é considerada uma falta de fé, que mata a possibilidade do milagre.

Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a idéia de que agenciam o favor divino com exclusividade. E por esse serviço, cobram caro, muito caro. Afinal de contas, um produto celestial não pode ser considerado de quarta categoria. A “Brastemp” espiritual que os teleevangelistas oferecem vem do céu.

O acesso ao milagre se complica, porque todos mercadejam o mesmo produto. Os critérios de escolha se reduzem a prazo de entrega, conforto e garantia.

Opa, quase esqueci! As lojas, em conformidade com o Código do Consumidor, são obrigadas a dar garantia, mas as igrejas evangélicas não dão garantia alguma. O cliente nunca tem razão. Quando a filha morrer de leucemia, o pai, além de enlutado, será responsabilizado pela perda. Vai ter que escutar que a menina morreu porque ele “deu brecha” para o diabo, não foi fiel ou não teve fé.

Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza estão bem à frente das igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.

Soli Deo Gloria.

2 comentários

  1. Muito boa a mensagem, irmão.
    Parabéns pelo Blog! Grande iniciativa!

    Quanto ao texto, isso está acontecendo aos montes da TV.
    É água ungida, camiseta untada, rosa rosada e mais um monte de babosada. Infelizmente, o nome Jesus Cristo tem ficado de lado e, mesmo quando é pronunciado, é com alguma intenção diversa daquele que é levar a salvação. Impressionante como esses telepastores, ao brigar pela simpatia do povo deixam cada vez mais de lado o nome de Jesus pois sabem que tudo que dizem é contra Seus ensinamentos.

    Por isso o próprio Cristo disse em Mateus 7: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade".

    É nítida a semelhança com esses telepastores. Realizar coisas em nome de Jesus, é moleza, o negócio é Ele estar de acordo com a realização. Se Ele não está de acordo, quem será que estava por trás de tudo?

    Deus nos abençoe.

    Posted on 9 de outubro de 2009 17:09

     
  2. Olá Ralfter,

    Obrigado pela sua visita.

    Quanto a sua pergunta, "Realizar coisas em nome de Jesus, é moleza, o negócio é Ele estar de acordo com a realização. Se Ele não está de acordo, quem será que estava por trás de tudo?"

    Essa pergunta é muito boa de ser respondida, não por nos, mas por eles mesmos que fazem os tais shows televisivos, acho que a resposta não será muito agradavel....risos...

    Te aguardo por aqui outras vezes.

    Abraços

    Olavo

    Posted on 12 de outubro de 2009 17:41

     

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